Alentejo, o Porco Preto e o Montado Rico em Bolota

É na paisagem gastronómica alentejana que podemos encontrar uma riqueza quase inenarrável de produtos de sabor e características organolépticas verdadeiramente únicas. O azeite, o pão, o presunto de porcos autóctones alentejanos são produtos de uma profunda excepcionalidade de sabor original, feitos de autenticidade única. A profundidade e suavidade do sabor do presunto alentejano tornam este produto um dos mais valiosos produtos da alimentação do homem.

 

Desde épocas romanas que o porco preto constituiu a principal fonte de alimentação dos povos que vivem no Alentejo. Imensas florestas de sobreiros e azinheiras alimentam um animal quase selvagem, de pelagem escura, por isso, resistente ao calor tórrido de verão que erra pelos campos à procura de ervas e bolota em regime de total liberdade ou à guarda de um porqueiro.

 

O porco alentejano alimentado a bolota deixou o povo romano verdadeiramente surpreendido pela riqueza de sabor e macieza da carne fresca ou curada. Plínio, nos seus escritos, refere-se varias vezes aos porcos da terra alentejana como um dos melhores e mais conceituados produtos alimentares. Foi desde sempre entendido e é absolutamente verdade que a bolota, abundante no Alentejo era o alimento que fazia da carne de porco uma carne de excelência rara. Já nas leis romanas podemos encontrar regras para a matança do porco. O porco foi nessa época o animal mais estimado e em todas as casas engordava-se pelo menos um porco fonte rica de energias para toda a família. A matança do porco era um dia de festa, reunindo amigos e família. Para a nobreza romana seguiam do Alentejo produtos curados de porco, nomeadamente o presunto, e outros como a morcela considerada afrodisíaca, por causa da mistura de sangue, e propicia a banquetes destinados a jogos de amor, embarcados em Mértola no cais romano do rio Guadiana.

 

Hoje é em Mértola que a Soledo produz artesanalmente alguns dos mais ricos produtos da gastronomia alentejana, presuntos e paios de porco preto alentejano com engorda a bolota com conhecimentos de cura que vem desde épocas romanas e que foram sabiamente guardados através de sucessivas gerações que encontraram no porco um modo de vida ou de sobrevivência.